A Creditas, empresa que concede crédito pessoal com garantia em veículos e imóveis, acaba de fechar uma nova rodada de aporte de capital, no valor de R$ 165 milhões. O investimento é o maior recebido por uma companhia de tecnologia financeira (“fintech”) brasileira neste ano e o segundo da Creditas, que em fevereiro já havia obtido R$ 60 milhões em capital.

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O aporte reforça a aposta dos investidores em modelos de serviços financeiros fora dos bancos tradicionais. A Creditas surgiu em 2013 (então com o nome Bank Fácil) com a proposta de oferecer crédito pessoal com juros mais baixos que os cobrados nas instituições financeiras.

O espanhol Sergio Furio, fundador da empresa, constatou que mais de 70% das famílias brasileiras contavam com imóvel ou veículo quitado, que poderiam ser usados em garantia em troca de taxas menores no financiamento, e viu aí uma oportunidade de negócio. “Os bancos no Brasil historicamente trabalham com crédito sem garantia”, diz.

A taxa média dos empréstimos concedidos pela Creditas é de 1,9% ao mês (ou 25,3% ao ano), segundo Furio. Para efeito de comparação, o juro médio nas operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas encerrou outubro em 59,5% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Furio não revela por quanto a empresa foi avaliada no novo aporte nem dados sobre receita ou saldo da carteira de crédito da Creditas. Mas o volume de recursos captados dá uma dimensão do crescimento da fintech. Além do capital, a companhia levantou neste ano R$ 200 milhões em recursos de investidores para o funding das operações de crédito, e tem planos de levantar mais R$ 300 milhões em 2018.

A Creditas pretende usar os recursos do aporte para ampliar a equipe e investir no desenvolvimento de novos produtos de crédito com garantia. A empresa conta hoje com 285 funcionários, contra 110 no início do ano. “Estamos em um nicho de mercado em que é preciso muita inovação”, diz Furio. A meta da Creditas é triplicar de tamanho a cada ano pelos próximos três anos, segundo Furio. Se cumprir o objetivo, a empresa chega ao fim de 2020 quase 30 vezes maior.

O novo investimento foi liderado pelo fundo sueco Vostok Emerging Finance, que recentemente também participou do aporte de R$ 125 milhões no aplicativo de finanças pessoais GuiaBolso. Os demais sócios da Creditas – Redpoint eVentures, Kaszek Ventures, Quona Capital, QED Investors, IFC (braço de investimentos do Banco Mundial) e Naspers Fintech – também entraram com recursos.

O aporte na empresa acontece no momento em que o BC prepara uma regulação para as fintechs de crédito. Para operar de acordo com as regras do sistema financeiro, as empresas precisam fazer acordos para atuar como correspondentes bancários de outras instituições. A Creditas tem como parceiros as financeiras Santana, Fapa e CHP.

Com a nova regulação, as fintechs poderão operar de forma independente. “Em um mercado onde a oferta de crédito é concentrada em poucas mãos, a iniciativa do BC é muito boa para o consumidor”, diz Furio, ao destacar que a proposta teve o cuidado de não aumentar o risco do sistema financeiro, já que as fintechs de crédito não poderão captar recursos diretamente dos clientes, como fazem os bancos.

Via Valor Econômico

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