O Brasil possui um dos sistemas bancários mais desenvolvidos do mundo, mas poucas pessoas sabem disso. Aliado a este fator, temos ainda a capacidade de adaptação do Brasileiro, sua criatividade e, principalmente, o seu engajamento quando o assunto são novas tecnologias.

O setor financeiro passou por profundas transformações nos últimos anos. Hoje, temos um Novo setor composto por novos players, novos objetivos e novos desafios.

Listamos os principais fatores que compõe o novo setor financeiro e que precisam ser analisados pelas instituições financeiras e Fintechs, neste novo cenário Digital.

Brasileiro e o smartphone 

O Brasileiro adere à novas tecnologias com uma velocidade impressionante. Segundo pesquisas, o tempo médio que os brasileiros gastam nos dispositivos móveis é superior ao restante do mundo. Em média, passamos 84 minutos por dia em tarefas nos nossos smartphones, esse número cai para 74 minutos, quando falamos do restante do mundo.

Quando o assunto é Banco, o cenário não é diferente. Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN), em pesquisa divulgada recentemente, o número de transações bancárias realizadas em aplicativos para tablets e smartphones ultrapassou, pela primeira vez, a quantidade de transações realizadas via internet Banking. Ainda segundo a pesquisa, 34% de todas as operações bancárias em 2016 foram efetuadas através de aplicativos mobile.

O crescimento das Fintechs

Aliado ao cenário acima descrito, temos o surgimento de centenas de Fintechs que trouxeram consigo soluções extremamente inovadoras que, primam, em sua maioria, pela experiência do usuário.

Em entrevista recente feita pela FEBRABAN, sete em cada dez brasileiros clientes de bancos já usam produtos financeiros ou serviços provenientes de fintechs, número que coloca o Brasil à frente da média mundial que é de 6 para cada 10.

Um importante relatório do setor, o radar FintechLab, foi divulgado na última segunda-feira, dia 24, e registrou um crescimento de 36% (332 Fintechs) no número de Fintechs em relação ao último levantamento realizado em fevereiro.

Engajamento dos usuários brasileiros

Os dados acima deixam bem claro o engajamento dos clientes bancários brasileiros! Isso trouxe para as instituições financeiras um novo cenário onde contas bancárias são abertas, empréstimos são concedidos, aplicações são efetuadas, transferências, pagamentos e mais uma infinidade de operações que, antes eram feitas presencialmente em alguma agência e que, agora são feitas, todas elas, de forma on-line (inclusive fora do horário comercial), de onde quer que o cliente esteja.

Gargalos nas operações bancárias 

Os gargalos das operações bancárias são facilmente encontrados quando as Instituições financeiras decidem ir para o Digital. De um lado, clientes começam a utilizar seus aplicativos, enviando documentações, assinaturas, selfies e etc. e, do outro lado, lá dentro dos Bancos, essa enxurrada de documentos e dados precisam ser tratados, avaliados, aprovados e/ou reprovados em processos que não foram automatizados e tampouco digitalizados.

O resultado disso é que os Bancos, em virtude de suas grandes estruturas organizacionais, não conseguem dar a resposta rápida que o processo precisa. Então, precisam aumentar suas equipes para tentar garantir que o retorno ao cliente ocorra em um tempo razoável, garantindo uma boa experiência para o usuário final, o que acaba não ocorrendo.

Problemas quando o processo não está digitalizado

Como o processo não está realmente digitalizado, problemas já conhecidos acabam surgindo, como:

  • Falta de rastreabilidade de informações
  • Problemas de gargalo em filas de avaliações
  • Falta de controle da operação
  • Falta de agilidade
  • Experiência ruim para o cliente

Essa é a realidade de boa parte das Instituições que entram na era digital. Existe o que chamamos de digitalização da entrada de dados, porém, não existe a digitalização do processo de onboarding do cliente.

Parceria entre Bancos e Fintechs

Esse é um dos cenários propícios para o surgimento de grandes parcerias entre Fintechs e Bancos. A Simply, por exemplo, é uma Fintech com foco na eficiência operacional de instituições financeiras e atua na organização, digitalização e automação de processos. O seu objetivo principal é automatização dos processos manuais, aumentando a produção e lucratividade das operações, além de melhorar a qualidade de vida dos funcionários das empresas.

Vou compartilhar um case recente que tivemos em uma Instituição Financeira:

Um Banco de médio porte conseguiu, em um só dia, triplicar a quantidade de propostas de crédito concedidos! Esse resultado foi possível graças à utilização da tecnologia da Simply que automatizou quase todo (senão todo) processo de validação documental, esteira de crédito, validação de dados cadastrais e etc. Essa mudança ocorreu com total controle, gestão e compliance com as auditorias mais exigentes que este setor exige.

O caminho, ao que tudo indica, é exatamente esse, o caminho das parcerias entre instituições financeiras e Fintechs. Iniciativas como o CUBO, do Banco Itaú, INOVABRA, do Bradesco e tantas outras apenas confirmam essa afirmação.

As instituições precisam estar atentas aos fatores do novo setor financeiro e a parceria com as Fintechs é uma excelente oportunidade para agregar tecnologia de ponta e inovação às suas operações, que são em sua maioria, tradicionais.

Sobre o autor:

Vainner Fonseca
Formado em TI, especializado na estruturação de sistemas e na implantação de produtos financeiros em bancos. Atualmente atua como gerente de TI na Simply, Fintech mineira especializada no aumento da eficiência operacional das instituições.

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