Por Roberto Rigotto

O mercado financeiro era um setor tradicional, mas, para os apaixonados pela inovação, é gratificante perceber como os Bancos evoluíram seu mindset em relação a alguns paradigmas antigos.

Por exemplo, há cerca de 1 ano atrás, era árdua a tarefa de convencer uma Instituição Financeira a hospedar sua solução em nuvem. Apesar da evidente vantagem, financeira e técnica no modelo cloud, as dificuldades impostas pelas equipes envolvidas pareciam intransponíveis. Ficava claro que o que estava em jogo era a emoção e não a razão.

De igual modo, as novas proposições e produtos apresentados por empresas de tecnologia (atualmente denominadas como Fintechs) eram desacreditadas por muitos. O ceticismo era perceptível quando apresentávamos algo novo e transformador para um Banco e recebíamos a seguinte pergunta ao final: “ Mas qual Banco já está utilizando esta solução hoje? ”

Poxa! Havia um paradoxo na resposta. Era justamente o fato de ainda não existir nenhum outro Banco, que fazia a solução ser tão “bonita”. A oportunidade de sair na frente e acreditar em uma solução antes dos demais, garantindo o diferencial competitivo, parecia não ser a prioridade.

De qualquer forma, havia sempre aqueles mais abertos a escutar as novas propostas. Hoje, vemos que estes early adopters se beneficiaram e colhem os frutos de suas apostas.

E qual lição podemos tirar do passado para não errar novamente no futuro? Acompanhe os principais pontos a seguir!

Inovação com equipe interna ou através de parceria?

Há pouco tempo participei de um programa na Stanford University – Califórnia, no qual o foco era “Inovação”.

É nesta região que temos o “Vale do Silício”, onde estão situadas várias empresas de alta tecnologia e startups. A área da baía de São Francisco, que compreende o Vale do Silício, ocupa a primeira posição em relação ao número de profissionais ligados a tecnologia nos EUA, com aproximadamente 400.000 empregos!

Para se ter uma ideia da concentração deste perfil de profissionais, o Vale do Silício possui 285 trabalhadores de alta tecnologia para cada 1.000 do setor privado. Estão sediadas empresas como Apple, Cisco, eBay, Google, Pixar, HP, Netflix, Yahoo e várias outras que compõe a lista 500 da Fortune.

Por isso, a oportunidade de entender a “ciência da inovação” em um dos mais importantes centros universitários dos EUA, foi uma experiência incrível. Algumas dúvidas recorrentes, daqueles que buscam pela inovação, foram respondidos e explorados por especialistas no assunto. A primeira delas conceitua e desmitifica alguns paradigmas que temos sobre os tipos de inovação. Já a segunda, está relacionado aos desafios enfrentados atualmente pelos Bancos.

 Inovação Disruptiva x Evolutiva

Sempre que pensamos em inovação, vem à nossa mente as grandes criações humanas que mudaram o nosso dia-a-dia. Neste contexto, alguns exemplos são lembrados, como: Uber, IPhone ou Ipod (universo da música), Internet, etc… Estas são as inovações conhecidas como “disruptivas” e que, pela própria característica, são muito mais raras que aquelas chamadas de “evolutivas”.

Por inovação evolutiva, é possível citar milhares e milhares de exemplos. O que as torna mais recorrente é o fato de se basearem em algo pré-existente, aplicado a um novo cenário, criando assim algo novo. Se utilizarmos um conceito inovador ou modelo de negócios, e o aplicarmos a um novo segmento, estamos criando uma inovação incremental.

O AirBnB, por exemplo, revolucionou o mercado de locação de casas. Na sequência, surgiram outras empresas e adotaram este novo modelo de negócios em outras frentes, como aluguel de carros, bicicletas, etc.. Portanto, não há nenhuma vergonha em se inspirar em algo pré-existente para criar uma inovação incremental aplicada ao seu mundo. 

Inovação como Processo

O segundo ponto importante é saber que inovação pode (e deve) ser tratada como um processo. Ou seja, ao invés de pensarmos em alguém tendo uma brilhante ideia debaixo do chuveiro, sabemos que é necessário haver um ambiente e processos que criem inovação.

Neste ambiente, o ideal é que todos da empresa estejam envolvidos e não uma área à parte. Estas técnicas foram importantes para criar, na Simply, um ambiente com processos que propiciem a evolução (ou inovação) contínua de nossos produtos. De certa forma, é um alívio saber que não há mais a dependência de um relampejo debaixo do chuveiro para manter os produtos evoluindo à frente do mercado! 

Como isso afeta os Bancos?

Precisamos lembrar que no ambiente de TI dos Bancos, há algo que consome uma energia imensa do time, que é manter o controle das coisas. Ou seja, não há a espaço para que “aquela parcela de um empréstimo seja descontada de forma errada do cliente” ou “que a TED seja creditada na conta de outra pessoa”!

Este mundo de necessidades essenciais, muitas vezes chamado de legado, precisa estar funcionando muito bem e, claro, demanda um monte de profissionais dedicados. Esta característica faz com que seja utopia acreditar que toda a equipe de profissionais dos Bancos esteja pensando em inovação.

Por outro lado, temos centenas de Fintechs dedicadas a buscar inovação, dia após dia. Estas empresas proporcionam um ambiente mais flexível e descontraído para sua equipe, além de criar processos e incentivos para que a inovação aconteça.

Lembrando que aqui o foco é fazer algo novo e, muitas vezes, não existe ainda a necessidade de manter um legado. Desta forma, a inovação fica privilegiada.

E qual destes dois universos é o mais importante? Ou seja, melhor seria manter as transações financeiras acontecendo na mais perfeita ordem ou criar novos modelos de negócio e ideias? Certamente AMBOS, pois um universo complementa muito bem o outro. E é por isso que temos observado um casamento perfeito entre Fintechs e Bancos.

 

Parque tecnológico Interno ou em Cloud?

Ao trocar a abordagem de uma instalação com infraestrutura interna (on-premises) por uma alternativa em Cloud, não estamos simplesmente alterando a localização física dos computadores.

Aliás, este talvez seja o menor dos impactos. A regulamentação do Bacen, em um dos seus principais pontos, exige apenas que o ambiente esteja dentro do território nacional.

Portanto, a mudança que realmente importa está relacionada à escalabilidade e otimização de recursos computacionais.

Escalabilidade

Lembro de um caso prático onde um determinado Banco aumentou absurdamente sua infraestrutura, para se preparar para o crescimento astronômico que haviam projetado. Infelizmente o crescimento não chegou como esperado e a gigantesca capacidade de processamento acrescida se tornou ociosa, levando consigo alguns milhões de reais.

Há também a situação inversa e não menos constrangedora. O crescimento pode bater à porta e encontrar uma limitação tecnológica que a impeça de acontecer. Neste caso, a equipe de TI dos Bancos é duramente criticada pela área de Negócios e Comercial e se vê em apuros para atender à demanda da noite para o dia.

Antes do modelo cloud, a única forma de sucesso desta equação, seria acertar nas previsões e, consequentemente, fazer a aposta do tamanho certo. Convenhamos que esta não é uma tarefa fácil.

Sazonalidade e Desperdício

De qualquer forma, vamos imaginar que as previsões tenham sido assertivas e que tudo tenha acontecido dentro do esperado.

Neste cenário otimista, o Banco precisará ter dimensionado seu parque tecnológico para atender aos momentos de pico! E o que fazer nos outros dias ou horários de baixa demanda, onde este parque existente não for necessário? Pois é. No modelo de infraestrutura própria, os equipamentos estão lá – utilize você ou não.

Já no modelo cloud, a alocação de recursos é totalmente dinâmica. Por exemplo, na solução Atomics da Simply, escalamos mais de 100 cores de processamento simultaneamente durante o horário de pico da demanda.

Entretanto, toda esta capacidade de processamento (recurso = custo), é liberada em momentos de baixa demanda (períodos noturnos, por exemplo). Assim, o custo de execução do ambiente é variável, e acompanha exatamente a demanda existente. Caso tenha interesse, conheça o case de sucesso desta solução.

Estas flexibilidades garantem um custo transacional imbatível, ao utilizar o modelo cloud computing.

 

Voltando à pergunta inicial, quais as lições que ficam?

Bem, eu diria que é fundamental estar aberto às novidades e não as rejeitar simplesmente por serem algo desconhecido!

Se sua empresa precisa crescer e se diferenciar das demais, precisa haver uma disposição para o desconhecido.

Adotar uma tecnologia depois que ela já se provou mais eficiente, poderá lhe permitir reequilibrar as forças com seu concorrente, mas não lhe devolverá o tempo e eventual market share perdidos.

Sobre o autor:
Roberto Rigotto: CEO e Fundador da Simply. Formado em Computação com especialização em Telecom e MBA em Finanças. Executivo apaixonado por Tecnologia e Negócios, focado em transformar necessidades em novos produtos e soluções inovadoras. A Simply é uma fintech mineira especializada no aumento da eficiência operacional das instituições.

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